Foram raros os que perceberam. Mas a situação do Flamengo é delicada. Precisa vencer de qualquer jeito. Perder o Estadual será um pecado imperdoável. Desta vez, os deuses deram a sua mãozinha. Na realidade, o placar de 2 a 1 ficou de ótimo tamanho, para o Rubro-Negro, que só fez cumprir a sua obrigação, e para o Bangu, dadas as circunstâncias. Valeu para esfriar os ânimos, exaltados com contratações duvidosas, e a euforia absurda. Impressiona muito a dificuldade para marcar gols.

A propósito, se o campeonato não vale nada, como costumam dizer, de maneira estúpida, o que faziam mais de 45 mil pessoas no Maracanã, num belíssimo domingo de sol do verão carioca?

O Flamengo começou com o rei na barriga, fazendo exibição, saiu em desvantagem aos três minutos, gol de Anderson Lessa em cabeçada, e passou a correr alucinadamente atrás do empate.

Aos 15, já no desespero, Renê puxou a bola de fora do campo, e Diego chutou para defesa de Felipe Dias, que meteu a mão e foi expulso. Diego bateu e fez 1 a 1. Alguém poderia ter avisado ao árbitro que o lance deveria ser paralisado antes da cobrança, o que impediria comentários insuportáveis do arco-íris, pois buscar o resultado era uma obrigação. Mas nem Rodrigo Caiou ousou fazê-lo. E Rejane Caetano da Silva, que tomou um encontrão acidental, não viu.

A pressão continuou. Não houve mudança. E a parada para hidratação salvou o Bangu naquele momento. Mesmo com 10, o time tentou esfriar o jogo, evitando deixar a bola com o adversário. Difícil. O barulho da torcida e a necessidade que o Flamengo tem de ganhar não permitiam.

O ritmo, de qualquer forma, diminuiu, pois não há quem aguente tirar o pai da forca por o tempo todo. E o Bangu conseguiu, sem muitos problemas, segurar o empate até o intervalo. “Faltou maior concentração no último passe”, disse Diego, resumindo a ópera.

A previsão do Flamengo, para o segundo tempo era ainda mais óbvia, enfrentar um time completamente recuado, inferiorizado em todos os sentidos, dentro e fora do campo. O Bangu até arriscou alguns contra-ataques. Mas não havia como livrar-se da pressão. Aos oito minutos, Éverton Ribeiro, em jogada banal, levantou para o desvio, de Rhodolfo, na cabeça, virando o placar.

Vitinho demorava a ser substituído. Como ocorre habitualmente, começou a irritar. Aos 19, Diego fez pior, ao perder um pênalti claro, de Dieyson em Éverton Ribeiro, que Jéferson Paulino defendeu. Vitinho foi embora. Esperança de melhora. Nada.

E o Yaya Banhoro, hein? O Flamengo adora tomar gols de jogadores com nomes assim. Não aconteceu. Fim de jogo. O resultado foi o retrato da partida. Ainda estamos em 2018?

FLAMENGO 2 x 1 BANGU / RJ

Data: Domingo, 20 de janeiro de 2019.

Competição: Campeonato Estadual do Rio de Janeiro / Taça Gunabara / Grupo B / 1ª rodada.

Local: Estádio Jornalista Mário Filho / Maracanã, no Rio de Janeiro / RJ.

Público: 43.761 pagantes / 46.472 presentes / 2.711 gratuidades.

Arbitragem: Bruno Arleu de Araújo, Luiz Cláudio Regazone e Thiago Henrique Neto Correia Farinha / RJ.

Cartões amarelos: Anderson Lessa 3’, Vitinho 36’, Dieyson 63’, Diego 69’, Michel 79’ e Thiago Santos 92’.

Expulsão: Felipe Dias 15’ (mão na bola).

Gols: Anderson Lessa 3’, Diego (pênalti – mão de Felipe Dias) 15’ e Rhodolfo 53’.

FLAMENGO: Diego Alves, Pará, Rhodolfo, Rodrigo Caio e Renê; Cuellar, William Arão, Diego (Vitor Gabriel 77’) e Éverton Ribeiro (Piris da Motta 83’); Uribe e Vitinho (Thiago Santos 71’). Técnico: Abel Carlos da Silva Braga.

BANGU: Jéferson Paulino, Kelvin, Michel, Anderson Penna e Dieyson; Felipe Dias, Serginho (Josiel 61’), Marcos Júnior (Yaya Banhoro 81’) e Pingo (Jairinho 61’); Anderson Lessa e Robinho. Técnico: Alfredo Sampaio.

(*) Jéferson Paulino defendeu pênalti, de Dieyson em Éverton Ribeiro, cobrado por Diego aos 64 minutos.