O Flamengo contratou três bons jogadores, Arrascaeta, Gabriel e Rodrigo Caio, e ganhou a Copa Flórida, nos Estados Unidos. A torcida explodiu de felicidade. Mas a pressão por títulos será grande. E ficará quase insuportável se o treinador Abel Braga começar a escalar reservas no Estadual, alegando que o campeonato tem pouco valor, o que é mentira, pois não formará um time. E as decepções logo virão.

Para o padrão brasileiro, o Flamengo possui um bom elenco, mas não chega ser um esquadrão. Vamos por partes. O técnico já foi campeão mundial pelo Internacional. Mas também perdeu duas vezes seguidas a Copa do Brasil. De maneira vexatória. Em 2004, com o próprio Rubro-Negro, para o Santo André. E em 2005, com o Fluminense, para o Paulista de Jundiaí.

Ninguém duvida da capacidade dos reforços. No entanto, Arrascaeta jamais foi titular. Brigou por espaço no Cruzeiro e na seleção do Uruguai. Gabriel saiu do Santos e fracassou na Inter de Milão e no Benfica. Em Portugal não há mais a dificuldade do idioma. Quando se fala de Rodrigo Caio, permanece o mistério, pois praticamente não teve oportunidade no São Paulo, em 2018, diante de outros jogadores que estão abaixo do seu quilate.

Quanto ao torneio na Flórida, é preciso ressaltar que o Flamengo, ora com o time principal, em outras com o reserva, conseguiu permanecer no nível dos adversários, que fizeram o mesmo.

Foram dois adversários. O Ajax Amsterdam é do primeiro escalão da Europa. Logo, caso tivesse lançado a equipe principal, do goleiro ao ponta-esquerda, provavelmente teria vencido, a exemplo do que fez, com alguma facilidade, contra o São Paulo. E o Eintracht Frankfurt, da segunda hierarquia daquele continente, se escalasse todos os titulares, teria grande chance de no mínimo chegar ao empate diante de um Flamengo que repetiu o velho vício de se sentir superior, desperdiçando pelo menos quatro oportunidades debaixo da baliza.

Esse é o balanço de janeiro – até aqui. Ninguém está torcendo contra. Muito pelo contrário. Mas um mau resultado contra o Bangu, na estréia do Estadual, dará início à cobrança. Fica, porém, o recado: se lançar, ora times titulares, ora reservas, vai entrar triunfalmente pelo cano. Quem garante é alguém que acompanha o Flamengo desde a primeira metade da década de 1960.