O começo de 2009 do Flamengo não era dos mais promissores. Chegaram Douglas e Willians, do Santo André, Éverton Silva, do Friburguense, e Zé Roberto, do Botafogo. Voltaram de empréstimos, Egídio, Fabrício, Kayke e Paulo Sérgio. Diego Tardelli foi o Atlético-MG e Vandinho para o Sport. E Ronaldo Fenômeno, que passou 40 dias treinando na Gávea, fez a desfaçatez de ir para o Corinthians. Francamente, não fez falta alguma. Melhor até que tenha sido assim.

O time – que estava fora da Copa Libertadores – cumpriu uma Taça Guanabara medíocre. Perdeu na semifinal para o Resende, 3 a 1, no Maracanã, no sábado de Carnaval. Daí em diante, muitas mudanças, até que o Flamengo conquistasse três títulos.

Em 12 de abril, venceu o Fluminense por 1 a 0, e ganhou a Taça Rio de Janeiro. Em 3 de maio, o Estadual, 4 a 2 nos pênaltis, sobre o Botafogo, após 2 a 2 no tempo normal. Fábio Luciano deixou o futebol. Em 20 de maio, o time foi eliminado pelo Internacional, na Copa do Brasil, em Porto Alegre, com o estúpido e inaceitável recurso de recuar para garantir o 1 a 1 – que levava à decisão – e perdeu por 2 a 1 no último minuto, com aquele gol de Andrezinho cobrando falta – nunca mais fez e nem fará igual. Naquele mês, Obina trocou o Rubro-Negro pelo Palmeiras.

Em 31 de maio, aconteceu enfim a volta de Adriano, com vitória de 2 a 1 sobre o Atlético-PR, no Maracanã. Em 22 de julho, após um punhado de resultados ruins, o técnico Cuca – 1 a 1 com o Barueri no Rio – perdeu o cargo, substituído por Andrade, que estreou contra o Santos, dia 26. O Flamengo ganhou por 2 a 1, gol contra de Pará, quebrando um tabu de 33 anos sem vitórias sobre a equipe paulista na Vila Belmiro. Um momento de tristeza ocorreu com a morte do ex-goleiro Zé Carlos, campeão brasileiro de 1987.

O time foi sendo encorpado, com Álvaro, David Braz, Maldonado e Petkovic. Ninguém queria o gringo na Gávea. Tinha 37 anos de idade e problemas com os cartolas. Mas as presenças do sérvio e do Imperador – com Andrade no banco – acabaram sendo fundamentais. A conquista teve um sabor especial porque o Flamengo só passou a figurar como favorito nas últimas rodadas, e porque, ao contrário dos cinco Brasileiros anteriores, o time precisou pôr em prática uma virada espetacular, contrariando todos os prognósticos, de especialistas, matemáticos, opinião pública em geral e de seus próprios fãs.

Os paulistas juravam que o Rubro-Negro não levantaria a taça. As apostas recaíam sobre o tetra do São Paulo. Não existe zebra quando se trata de Flamengo, mas foi surpreendente. Na decisão, em 6 de dezembro de 2009, o time fez 2 a 1 no Grêmio, no Maracanã, com o gol de Ronaldo Angelim que tirou o país do sério. O Flamengo jogou com Bruno, Leonardo Moura, David Braz, Ronaldo Angelim, Juan, Willians, Aírton, Toró, Petkovic, Adriano e Zé Roberto.

Quisera que 2019 terminasse como 2009.