A vitória de 2 a 0 do Flamengo sobre o Madureira lembrará até a próxima partida domingo contra o Fluminense – Geni e o Zeppelin, a música eterna de Chico Buarque. Quando a cidade dela precisou, implorou pela sua ajuda, e a prostituta barata deitou com o pior dos homens. Pois o gol de Gabriel, na banheira, será a pièce de résistance dos detratores em seus enervantes comentários, quando sabemos que sábado, após os erros grosseiros, o silêncio foi sepulcral.

Aliás, quando é escalado para jogos do Flamengo, Sandro Meira Ricci reza todo o tempo para que os erros da arbitragem beneficiem o Rubro-Negro, como o gol de Gabriel, que abriu o placar diante do Madureira, aos 44 minutos do primeiro tempo. Sábado passado, o atacante, “preservado”, passeava no shopping, e o ex-juiz, hoje comentarista da Globo, teve a felicidade de não acompanhar os equívocos do trio formado por Pathrice Wallace Correia Maia, Fabiana Nóbrega Pitta e Rachel de Mattos Bento, que deixou de marcar um pênalti clássico, e ainda anulou o gol legal de Hugo Moura, no empate de 0 a 0 com o Volta Redonda.

No entanto, há sempre a lei da compensação, embora vigore também o impossível, neste caso especificamente uma frustração para ambos. O medíocre Gabriel desperdiçou um punhado de oportunidades, e marcou, em impedimento. E Ricci vibrou ao anunciar, antes de ser chamado pelo narrador, que o atacante estava na banheira. Mas não há baliza em shopping. E o ex-juiz não apita mais.

Veio o segundo tempo. A turma do passeio – que ganha salários milionários e goza de infraestrutura formidável – tentava justificar a ridícula folga do sábado passado, forçando o jogo em cima do Madureira, esbarrando, porém, na dificuldade para marcar gols, bem representada por ele, Gabriel, uma mistura exótica de Édson Trombada, Radar e Negreiros, por ordem cronológica.

Aos 33, após outra dúzia de chances jogadas no lixo, Gabriel chutou, a bola desviou na zaga, e entrou. O suficiente para o atacante sair como herói. O futebol, como na vida, e na saga de Geni, escreve torto por linhas certas.

Aliás, é assustador saber que o Flamengo precisa de um punhado de chances para fazer gol. Muitos dirão que se o time cria, já há algo de positivo. Assim, é preciso lembrar a fragilidade do Madureira, e que jogando assim, não suportará um adversário mais forte. É de se imaginar o que fará – ou não fará – Gabriel em um jogo de mata-mata e decisivo da Libertadores.

FLAMENGO 2 x 0 MADUREIRA / RJ

Data: Terça-feira, 19 de março de 2019.

Competição: Campeonato Estadual / Taça Rio de Janeiro / 5ª rodada.

Local: Estádio Jornalista Mário Filho / Maracanã, no Rio de Janeiro / RJ.

Público: 16.548 pagantes / 17.392 presentes / 844 gratuidades.

Arbitragem: Maurício Machado Coelho Júnior, Daniel de Oliveira Alves Pereira e Gabriel Conti Viana / RJ.

Cartões amarelos: Gabriel 72’, Guilherme Bala 73’ e Pará 75’.

Gols: Gabriel 44’ e 78’.

FLAMENGO: Diego Alves, Pará (Juan 88’), Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê; William Arão (Hugo Moura 84’), Ronaldo, Diego e Éverton Ribeiro; Bruno Henrique (Uribe 64’) e Gabriel. Técnico: Abel Carlos da Silva Braga.

MADUREIRA: Douglas, Arlém, Marcelo Alves, Júnior Lopes e Rezende; Rodrigo Dantas, Éverton (Alanzinho 66’), Bruno e Luciano Naninho; Derek (Guilherme Bala 61’) e Tássio. Técnico: Carlos Roberto Obrigo da Cunha – Gaúcho.

(Foto: André Durão via globoesporte)